Recentemente, ao finalizar um dia de atendimentos aqui na clínica, compartilhei um dado que me preocupa profundamente: 46% dos homens só procuram atendimento médico quando já estão sentindo algum sintoma. Isso significa que quase metade da população masculina espera o “motor começar a sair fumaça” para então buscar ajuda.
Eu sou o Dr. Thiago Cusin, urologista e andrologista, com atuação em Bento Gonçalves e Guaporé – RS, e acompanho diariamente as consequências desse comportamento. Doenças que poderiam ser diagnosticadas precocemente e tratadas com muito mais tranquilidade acabam sendo descobertas em estágios mais avançados, especialmente entre os homens.
Neste artigo, quero reforçar a importância do cuidado preventivo na saúde masculina e explicar por que o urologista não é apenas o “médico da próstata”, mas o profissional responsável por acompanhar o homem em todas as fases da vida.
Por que os homens procuram menos o médico?
A baixa procura por atendimento médico entre os homens não acontece por acaso. Existem fatores culturais, sociais e estruturais envolvidos.
Entre os principais motivos, destaco:
Questões culturais e crenças relacionadas à masculinidade
Medo de descobrir uma doença
Receio de exames diagnósticos
Dificuldade de acesso a serviços de saúde
Falta de hábito desde a infância
Diferentemente das mulheres, que em geral iniciam acompanhamento com o ginecologista ainda na adolescência, muitos homens passam décadas sem qualquer avaliação preventiva. Não criam o hábito de realizar consultas periódicas, exames de rotina ou acompanhamento clínico.
Esse comportamento tem consequências claras. Estatísticas mostram que doenças potencialmente tratáveis acabam sendo diagnosticadas em estágios mais avançados nos homens do que nas mulheres. Um exemplo evidente é o câncer de próstata.
Segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA), uma parcela significativa da população masculina, especialmente em regiões com menor acesso à saúde, descobre o câncer de próstata em fase avançada. Em alguns cenários, esse número pode chegar a até 30% dos casos.
Quando falamos em câncer diagnosticado tardiamente, estamos falando de tratamentos mais complexos, maior impacto na qualidade de vida e menores chances de controle da doença.
O urologista não cuida apenas da próstata
Existe um equívoco muito comum: associar o urologista exclusivamente ao PSA e ao toque retal. Embora o rastreamento do câncer de próstata seja uma parte importante da nossa atuação, ele está longe de ser a única.
O urologista é o médico da saúde masculina como um todo.
Atuamos desde a infância até a terceira idade. Acompanhamos:
Alterações no desenvolvimento durante a adolescência
Distúrbios hormonais
Disfunção erétil
Ejaculação precoce
Infertilidade masculina
Síndrome metabólica
Obesidade e resistência à insulina
Distúrbios do sono, como apneia
Muitas vezes, o paciente procura o consultório por uma queixa de ereção e, durante a investigação, identificamos fatores como diabetes inicial, obesidade, alteração hormonal ou risco cardiovascular aumentado.
A disfunção erétil, por exemplo, pode ser um dos primeiros sinais de doenças metabólicas e vasculares. Ignorar esse sintoma é perder uma oportunidade valiosa de diagnóstico precoce.
Além disso, trabalhamos de forma integrada com endocrinologistas, cardiologistas, nutricionistas e outros profissionais, especialmente quando o paciente precisa de acompanhamento para perda de peso, controle hormonal ou ajuste metabólico.
A saúde do homem é sistêmica. Não é segmentada.
O impacto do diagnóstico tardio na qualidade de vida
Quando o homem evita o atendimento preventivo, ele não apenas aumenta o risco de complicações médicas, mas também compromete sua qualidade de vida.
O câncer de próstata é um exemplo claro. Quando detectado precocemente, as chances de tratamento eficaz são maiores e as opções terapêuticas são mais amplas. Em estágios iniciais, muitas vezes é possível optar por tratamentos menos agressivos ou até mesmo vigilância ativa.
Em estágios avançados, o cenário muda completamente. Pode ser necessário associar múltiplas terapias, como cirurgia, radioterapia e bloqueio hormonal, com maior impacto físico e emocional.
Mas não é apenas o câncer que preocupa. Síndrome metabólica, obesidade e alterações hormonais não tratadas estão diretamente relacionadas a:
Maior risco cardiovascular
Piora da função sexual
Redução de energia e desempenho
Impacto na autoestima
Costumo usar uma analogia simples com meus pacientes: você não espera o motor do carro fundir para fazer revisão. Por que esperar sintomas graves para cuidar da sua saúde?
Prevenção não é exagero. É estratégia.
Conclusão
A saúde masculina precisa deixar de ser tratada apenas quando surgem sintomas. O dado de que 46% dos homens só procuram atendimento ao sentir algum problema deve servir como alerta.
O urologista acompanha o homem em todas as fases da vida, não apenas no rastreamento do câncer de próstata. Nosso papel é diagnosticar precocemente, orientar, prevenir e atuar de forma integrada na saúde global do paciente.
Se você está adiando sua consulta por medo, falta de tempo ou receio de exames, repense. Cuidar da saúde é uma decisão madura e estratégica.
Não espere os sinais se agravarem. Procure seu médico, compartilhe seus sintomas e faça seu acompanhamento preventivo.
Esta postagem é completamente original, criada a partir do nosso próprio vídeo, referenciada em informações da internet e aprimorada com tecnologia de inteligência artificial.
Perguntas frequentes
Eu só devo procurar o urologista quando tiver sintomas?
Não. O ideal é realizar acompanhamento preventivo periódico, mesmo na ausência de sintomas, especialmente a partir da vida adulta.
O urologista cuida apenas do câncer de próstata?
Não. O urologista é o médico responsável pela saúde masculina em todas as fases da vida, incluindo questões hormonais, sexuais e metabólicas.
Disfunção erétil pode indicar outro problema de saúde?
Sim. Em muitos casos, a disfunção erétil pode estar relacionada a doenças metabólicas, cardiovasculares ou hormonais.
Com que idade devo começar a fazer acompanhamento preventivo?
O acompanhamento pode começar ainda na adolescência, especialmente em casos de alterações no desenvolvimento, e deve se tornar regular na vida adulta, conforme orientação médica.
"Não espere o motor do seu carro começar a soltar fumaça para procurar o mecânico; da mesma forma, não espere sintomas graves para cuidar da sua saúde."
Análise complementar, com base na internet:
“Men’s Health” (World Health Organization – WHO) – SWITZERLAND
Este artigo reforça o argumento apresentado no post de que os homens apresentam menor adesão aos serviços de saúde preventiva quando comparados às mulheres, o que contribui para diagnóstico tardio e maior mortalidade por doenças evitáveis. A publicação destaca a importância de estratégias específicas para ampliar o acesso e o engajamento masculino no cuidado com a saúde.
“Global Prostate Cancer Statistics 2020” (Sung et al., CA: A Cancer Journal for Clinicians) – UNITED STATES
Este artigo reforça o argumento apresentado no post de que o câncer de próstata permanece entre os tumores mais incidentes na população masculina e que o diagnóstico em estágios avançados está associado a piores desfechos, confirmando a relevância do rastreamento e da detecção precoce discutidos no artigo.
Leia aqui: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33538338/